Esconde-Esconde

 

Ai amichas, sabe do que eu estava lembrando agora pouco? O quanto nós somos bobos, ou melhor, como a gente faz coisas ridículas quando está saindo, ficando, conhecendo alguém né!? Será que sou só eu que sinto e vivo isso? Pouco provável, acredito.

Eu ria sozinho no trabalho, parecia um louco, recordando uma vez que dormi na casa de um bofinho depois de um jantar na casa de umas amigas. Foi uma noitada ótima, nos entrosamos muito bem. Depois de todo o serviço feito, eu fiquei deitado do lado dele olhando para o teto, e o que iluminava a peça era apenas um abajur. Ele já tinha dormido, quando eu olhei para o meu pé, e percebi que eu estava tratando um fungo na unha. Ah, juro, fiquei aflito, minha unha estava preta, em camadas, um horror, não sei se era pior a maneira como estava ou se tivesse passado um esmalte. Imagine, eu com a unha do dedão pintada de Verde Jade, Vermelho Menarca ou Rosa Xereca, porque agora os esmaltes têm nomes bem estranhos.

 

Depois que vi o meu pé, naquele estado, fiquei matutando, será que ele viu o meu dedão com fungo, com esta unha podre? Se ele viu, o que deve estar pensando. Fiquei fazendo conta de cabeça para lembrar as posições que praticamos para saber se tinha a possibilidade de ele ter visto o meu pé. Acho que não. Tive a idéia de dormir de meia para quando o dia amanhecesse ele não ver o meus pés, mas lembrei de que estava usando um sapato sem meia. Que raiva. O remédio era eu acordar antes dele quando amanhecesse e colocar logo os sapatos, mas eu tenho o sono tão pesado, ainda mais depois de uma noite de selvageria. E agora? Resolvi dormir de sapatos, fiquei um pouco mais abaixo dele e coloquei os pés para fora da cama, mas já calçado. Isso mesmo, dormi pelado, mas de sapatos. Caso ele me pergunte alguma coisa digo que é uma mania, afinal, ele não me conhecia direito. E foi assim que passei aquela noite.

Outra vez, imagine, eu estava em férias na serra, fui numa balada e saí de lá acompanhado. No hotel, ui me arrepio só de lembrar, não teve quem conseguisse dormir, tamanha era a nossa euforia. Já que ajoelhou, tem que rezar, e eu devoto da Santa Neca, fiz todos os meus pedidos diante daquela imagem. Ele delirava, delirava mesmo!  Isso antes de dar um grito, ou melhor, um urro. Criaturas, feito um amador, dei com a ponta do canino no cogumelo dos Smurffs. Que tragédia, sangrei o bonitão. Sobrevivi à vergonha, mas não consegui mais manter o mesmo desempenho.  Num reflexo espontâneo, tomei um pedala Robinho, mas nem reclamei, só aceitei as desculpas depois. Ai que horror!!! Só faltava o rapagão colar um Band-aid na nhapa.

Não sei por que isso só acontece comigo, ou se aconteceu com algum de vocês, nunca contam nos encontros da confraria da trança embutida, onde ficamos nos maquiando e trocando confidencias entre uma taça de champagne e outra. Não costumo esconder o jogo, as experiências devem ser compartilhadas. Por isso não tenho segredos com vocês.

 

Eu tenho pavor da coincidência desde que aconteceu isso que vou contar comigo. Nunca tinha visto o menino na minha vida. Um menino mesmo deveria ter 18 anos recém feitos. Todo saradinho, com hormônios fervilhando por todo aquele corpitcho. Estávamos no mesmo aniversario quando ele se aproximou e perguntou meu nome, então eu menti, falei que me chamava Delecir, afinal, não queria dar moral para a neo-biba. Até que ele tinha um papinho bom, era agradável, mas não sou pedófilo né gente, tenho que honrar alguns fiozinhos prateados que estão aparecendo no meu picumã. Dançamos perto um do outro, rimos um pouco e foi legal. Enquanto tudo isso acontecia ele me chamava de Delecir, e eu agia com toda naturalidade.

No avançar da noite, ele foi buscar uma bebida, ou foi dar só um role pela festinha, quando perguntou para um amigo em comum se eu tinha namorado, se estava com alguém, esse tipo de investigação que se faz quando a gente quer dar o bote.

A mãezinha sempre ensina que a mentira é igual ao Nelson Ned tem as pernas curtas, mas não dei ouvidos ao sábio ditado. Daqui a pouco o baby bicha voltou e me ofereceu a bebida dele dizendo: – Quer um drink GIVAGO?

 

Foi pior que puxar a calcinha de dentro da bunda, fiquei roxo de vergonha, A cara de indignação por eu ter mentido foi constrangedora. Não aceitei a gentileza do bonitinho, então logo ele deu um pivô, bateu cabelo e nunca mais se aproximou de mim. Numa festa com tanta gente, que coincidência termos um amigo em comum. Putz!

Hoje me lembrei desses ocorridos, e ri muito, não adiante querer esconder alguma coisa, porque no final sempre é revelado, inclusive o um dentinho pontudo.

 

Smack!

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