Cadê o Vitório?

Quem não gosta de viajar de avião? Eu adoro! Acho ótimo minimizar o tempo dos destinos de viagens voando, observando o céu, as nuvens, estrelas, olhando tudo lá de cima. Maravilha!

Trabalhar para uma companhia aérea não é muito fácil, ainda mais para mim que sou um pouco atrapalhado. Sempre fico meio desorientado onde tem muito movimento, e muitos de vocês devem saber que aeroporto está longe de ser um lugar calmo.

Então, nessa época que trabalhei no aeroporto, desempenhei várias funções, uma delas, inclusive a que eu mais gostava era de acompanhar os passageiros no embarque e desembarque, dando informações, ah, como gostava de dar!
Enfim, já estava acostumado a ver gente de tudo que é jeito, estilo, cultura, era bem legal.

Tudo acontecia na mais absoluta normalidade, nenhum voo atrasado, nenhum passageiro perdido, nenhuma ameaça a bomba. Estava tudo normal, isso me deixava desconfiado, afinal, aeroporto sem vuco-vuco, sei lá. Mas relaxei e segui trabalhando feito um condenado, mas feliz.

Era inicio da tarde quando fui acompnhar uma passageira linda até a sala de embarque, precisava despachar as bagagens e tal, fazer check in e demais procedimentos. Gente, ela era linda. A gente fica sem graça diante de uma mulher maravilhosa né? Não é desejo sexual, até porque né, alooou, convenhamos, elas não tem o que a gente gosta que é barba, peito cabeludo, pernas fortes, coxas duras, mão grande. Ui! Vou parar com isso.

Quando a gente vê uma mulher bem montada, nossa, impressiona até as bi. Ela tinha mais de 1,80m, o salto altíssimo, um sapato maravilhoso, era vermelho, e ela sabia usar aquele maravilhoso acessório, os joelhos estavam alinhados, firmes, andava com classe. É lindo ver uma mulher que sabe ser poderosa. Não me despertou desejo, mas admiração, afinal, ela não passava despercebida. Usava saia lápis e isso já evidenciava que era elegante, justa na altura dos joelhos, o quadril bem evidenciado, cintura alta que revelava a barriga negativa. Nossa, ela era mesmo uma clássica feminina. A blusa de tecido fino com botões em madre pérola, jóias delicadas e discretas, pulseiras decoravam os braços lisinhos , anéis grandes  valorizavam as unhas bem feitas com impecáveis francesinhas, no pescoço, uma corrente fininha com pingente, nas orelhas brincos grandes que apareciam bem, porque o cabelo castanho claro era curto, tipo Chanel.

O que me chamou muito atenção foi o óculos, eu adoro óculos e o dela era maravilhoso. Quem tem classe sabe mesmo escolher bem os acessórios, né? Puta merda, como faz diferença. Era uma armação gigante tipo Jaque Kennedy.
Num instante eu tive vontade  de pular na cara dela e pegar aquele óculos para mim e sair correndo. Imagina, eu a loca, depois ficar com fama de Elza trombadinha, nem trunqueira seria.  Mas resisti a tentação.

Enquanto aguardava o embarque eu precisava checar os dados e números dos documentos  dela e a observava de uma certa distância, não muita e percebia aquela postura de mulher fina, de bailarina, costas eretas, queixo erguido, peitos para frente, eram firmes, pelo menos pareciam ser. Segurava uma pequena bolsa, que me fez concluir que era uma mulher pratica e segura. Porque não tem coisa pior que essas que usam aquelas bolsas enormes que quando toca o celular nem o encontram a tempo de atender, ou a chave ou qualquer coisa, levam até escova dentro da bolsa. Que horror!

Quando peguei o cartão de embarque e a chamei até o balcão  constatei que estava com o documento errado e resolvi perguntar:

A senhora vai fazer o check in do Vitório?

Ela respondeu com voz mais grave que a minha:

– Eu sou o Vitório.

Gente, como eu poderia imaginar?! Fiquei com muita vergonha, meu rosto queimava, minha boca secou, , que mico. Como eu não percebi antes que uma mulher tão maravilhosa só poderia ser uma travesti. Nenhuma mulher sabe andar de salto como um travesti, ainda mais com aquela altura toda. O que parecia óbvio me passou.

Quando eu estava conseguindo superar minha falta de sensibilidade e tamanha desatenção, vi que meu colega que iria carregar as malas se aproximava caminhando rápido e já meio nervoso, um pouco irritado, essa era uma característica dele, por isso era conhecido como Bronquinha. Antes que eu pudesse fazer qualquer observação ele bateu no meu balcão e desabafou dizendo:

– Cadê o tal Vitório? Tenho que levar as malas dele.

Então a linda mulher olhou nos olhos dele depois de tirar o óculos com uma mão e balançando os cabelos, disse:

– Pode levar minha bagagem senhor!

E lá se foi a poderosa, num caminhar elegante, num figurino impecável e uma educação invejável.

E eu fiquei com uma cara de tacho enquanto admirava  a materialização da elegância se afastar num delicado caminhar. Aff! Madre Trava ruega por mi! Amém!

Smack!

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