Vai de Balde!

Hello, baby! Ou será babies? Ai que dúvida cruel, nunca fui bom no plural do inglês. Quem entendeu, ótimo, quem não entendeu, puta merda, vai querer que eu desenhe, quem sabe?

Hoje eu estava limpando o banheiro da minha suíte. Não vou dizer fazendo faxina porque seria uma falta de finesse. Tenho um apartamento com suíte, mas não tenho diarista – muito menos faxineira – então seguido me pego praticando atividades domésticas. Mas isso é um segredinho que fica entre nós. Não que seja vergonhosa tal atividade, mas não precisamos revelar isso, né?!

Enquanto eu passava um pano no chão, limpava o vidro do Box. Uma esponjinha com detergente na pia faz milagres. Estava tudo ficando um brinco. Quando me olhei no espelho, me veio no ato uma lembrança do passado, juro que já tentei esquecer isso, até fiz terapia, mas ainda está no meu memory card.

Aconteceu num final de semana maravilhoso, o dia estava ensolarado e eu tinha sido convidado para almoçar na casa de um namoradinho, não quero ser pejorativo nem carinhoso, mas era um casinho, sem muita importância, estávamos recém nos conhecendo. O legal é que a família dele já tinha passado daquela fase de aceitação e tal, então não havia clima de constrangimento e ficar fazendo tipo para não chocar ou ser mal interpretado. Lá tudo acontecia com naturalidade, a mãe dele era muito gente boa, engraçada, espontânea e simpática. O pai era mais reservado, mas nem por isso menos gentil e acolhedor, e os irmãos não fugiam de tais características, era um clima agradabilíssimo, juro que me senti em casa.

Eu já estava ansioso para saber qual seria o cardápio, afinal, não queria ser pego de surpresa. Se fosse um prato que eu não gostasse, pelo menos eu já iria me preparando psicologicamente para encarar. São poucos alimentos que não gosto. Na verdade, tem apenas um que eu detesto, odeio, tenho horror, pavor e até medo: bife de fígado.

Ai gente, quando eu entrei na cozinha e vi aquele pedaço de carne preta, lisinha, gelatinosa dentro de um prato com leite e temperinhos, eu quase dei um pivô triplo no eixo e saí em fuga num twist carpado. Juro que tive vontade de sair correndo rumo ao telefone para pedir uma tele entrega de pizza, comida chinesa, japonesa, árabe, o que fosse. Mas uma voz sussurrava no meu ouvido “calma, compustura”. Eu não queria fazer desfeita, então ouvi tal sussurro. Devia ser a Mãe das Travas, da qual sou devoto, tentando me ajudar. Só poderia ser Ela, afinal, não poderia estar acontecendo aquilo comigo. Mas, puta que pariu, como que uma pessoa oferece um almoço e faz bife de fígado de prato principal? Sim, era isso e arroz branco. Como eu poderia só comer arroz branco? Não tinha como. Nem oriental eu sou para dar essa desculpa. Velha desgraçada.

Fiquei tão nervoso que senti uma terrível (terrível mesmo!) dor de barriga. Maldita vaca velha, vai ser sem noção assim na cozinha do inferno, bruxa miserável, que nojo! Além de fazer uma comida que eu tenho pavor, me fez ficar com dor de barriga. Sogra é foda, eu deveria ter perguntado se ele era órfão antes de começarmos a sair juntos. Puta que o pariu, literalmente. Não tive alternativa, fui para o lavabo, caminhando com as coxas coladas para não me escorrer perna a baixo. Abri aquela porta, sorte que a tampa do vaso estava levantada, me joguei naquele assento como se fosse uma deliciosa poltrona de design scandinavo. Ufa! Deu tempo! Maravilha. Agora é só encarar o banquete da treva. Azar, nada é perfeito e nada poderá ser pior que isso neste dia lindo.

Gente, me recompus.  Levantei-me daquele libertador vaso sanitário, baixei a tampa sem olhar, arrumei minha roupa, lavei minhas mãos, me olhei no espelho e apertei a descarga. Falhou! Falhou? Azar, vou deixar para minha sogrinha (sim, agora no pejorativo) tudo que estava dentro de mim. Se tivesse uma caneta, deixava um bilhete escrito sobre a tampa do vaso “COM CARINHO!”. Antes que eu pudesse abrir a porta, ela deu três porradas e gritou: – Givago!  Neste banheiro não tem descarga!

Eu fiquei apavorado. Era uma mistura de vergonha com raiva, sei lá que sentimento é esse. Eu pensei comigo “só pode ser sacanagem, sabotagem. O que mais falta acontecer hoje?” Só faltava cair sobre mim a Dani Winits e o Tiago Fragoso.

As três porradas na porta se repetiram e a maldita gritou: – Givago, vou te esperar aqui, to com dois baldes.

Dessa vez nem o Mestre dos Magos me salvou! Socorro!

Smack!

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2 Comentários

  1. Pablo

     /  05/02/2012

    Bife de fígado marinado no leite, que HORROR!!!

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  2. Pior que o bife de figado é a sogra baldear a privada.

    Resposta

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